NPR: “Em tempos díficeis, Paramore liga para os anos 80”

Paramore para o The New York Times, maio de 2017.

O Paramore já foi descrito como Emo, pop-punk, grunge e rock, mas apesar do genro, o adjetivo “chiclete” sempre se aplicou à sua música. O mesmo pode ser dito do último lançamento da banda do Tennessee, o After Laughter. Inspirado pesadamente em sons dos anos 80, o álbum é cheio de sintonia e pep.

“Quando começamos a escrever, era verão, e… Eu só queria ficar de boa.” O guitarrista principal Taylor York disse “Eu estava escutando bastante Afrobeat e estávamos escutando bastante new wave, tipo The Cure e Talking Heads… Nos anos 80, principalmente no início, tinha tanto poliritmo e tantas batidas legais, e o jeito que as melodias dançavam umas com as outras era realmente inspirador.”

Mas por mais que o After LAaughter tenha músicas que soam alto astral, as letras são pesadas. O Paramore enfrentou uma boa porção de dificuldades – um processo, rompimentos públicos, membros da banda indo e voltando – desde que se formaram em 2004. A líder Hayley Williams falou abertamente sobre seus desafios com depressão, enquanto o baterista Zac Farro e seu irmão Josh deixaram o Paramore em 2010 (Zac voltou à banda recentemente).

Lakshmi Singh: Fale sobre a escrita e produção de Hard Times. A música soa muito feliz, mas se você escutar a letra você percebe que é uma musica emocionalmente difícil.
Hayley Williams: É, o álbum tem bastante disso… Eu acho que não poderíamos fazer um álbum, pelo menos liricamente, que combinasse com o tom da música. Mas eu também acho que poder falar desses sentimentos e emoções adicionou ainda mais profundidade. Digo, obviamente tem muita coisa rolando na música e foi interessante colocar algumas palavras nela, mas agora, você escuta de novo e fica tipo “Caramba,obrigada.”, porque eu não quero cantar essas palavras com músicas de ritmo triste. Acho que todos nós ficaríamos miseráveis.

LS: Zac, você e seu irmão, Josh, deixaram a banda em 2010. Essa separação foi altamente pública. Por que você saiu e por que agora foi o momento certo para voltar?
Zac Farro: Bom, meu irmão e eu saímos em 2010 por razões parecidas, mas muitas razões também eram diferentes. O principal motivo pra mim foi de que começamos a banda quando éramos muito novos, eu tinha 13 anos quando realmente começamos a tocar, depois 14 quando começamos a fazer turnês. Parecia que não tinha luz no fim do túnel pra mim enquanto eu mesmo, como pessoa, e eu senti que eu só ia deixar a banda pra baixo com minha atitude e o jeito que eu estava lidando com isso tudo. Por isso achei que o melhor era me retirar.
Muito tempo passou, e eu consegui viver muito da vida que eu precisava viver. Me mudei para a Nova Zelândia por alguns anos e tive alguns momentos que mudaram minha vida. Depois, sabe, tudo meio que colidiu de novo quando o Taylor e eu começamos a nos tornar – digo, a gente sempre foi melhor amigo, mas tivemos esses períodos na vida onde a gente para de se falar um pouco. Tem sido essa coisa estranha e consistente, então eu mal posso esperar pelos próximos anos que a gente não vai se falar. (risos)

LS: Hey, então aparentemente tem uma benção há poucas distâncias.
ZF: Sim, total. Muitas bençãos em todos os lugares se você olhar ao redor.

LS: Ao longo dos anos, menções de sua fé tem aparecido. Vocês dizem que não são uma banda cristã mas que tem fé, como acham que sua fé tem ajudado a manter vocês todos juntos?
Taylor York: Eu acho que quando nós éramos mais novos nós costumávamos ter uma voz mais unificada em termos de, aparentemente, como a gente ia falar sobre fé. E eu não sei se temos isso agora, mas acho que temos mais confidência e união dentro da nossa banda e um jeito mais privado de discutir, e só meio que reconhecer isso. Pra nós eu acho que nossa fé é parte de nosso propósito e o motor que nos mantém andando, e as vezes é subconscientemente, as vezes é conscientemente… A gente sempre vai ficar tentando se resolver com isso, resolver como vamos falar sobre, resolver o que nós realmente acreditamos.

LS: Depressão é tão proeminente nas letras e nesse álbum, mas fé também parece ser central. O que isso significa pra você, pessoalmente?
HW: Sabe, acho que o que temos que lembrar é que somos apenas seres humanos e com isso vem muito…lixo. Todos nós temos nossas montanhas e vales. Algumas vezes você acorda e está no fundo do poço mais baixo,  outros dias você trabalha pra caramba pra chegar no topo da montanha e conseguir olhar ao redor e ver tudo que sobreviveu. Mas acho que a coisa mais importante pra mim é lembrar que não cheguei à esse topo sozinha… Estamos em um ponto agora entre nós três como amigos onde é OK ter suas experiências individuais com Deus e com música, interações, o que quer que seja. Vivemos nossa fé um no outro no nosso próprio jeito.